Unigel apresenta plano de recuperação extrajudicial e credores podem ficar com 50% da petroquímica

Unigel apresenta plano de recuperação extrajudicial e credores podem ficar com 50% da petroquímica

Uma das mais tradicionais petroquímicas brasileiras, a Unigel acumulou prejuízo líquido de R$ 1 bilhão entre janeiro e setembro de 2023, quando seu patrimônio líquido ficou negativo em R$ 20,6 milhões

Com o pedido de homologação de um plano de recuperação extrajudicial apresentado na terça-feira à noite, a Unigel terá mais 90 dias de proteção contra a execução de dívidas. Pelos termos que estão sendo costurados, os credores que aderirem ao acordo poderão ficar com uma fatia de 50% da petroquímica, controlada pela família Slegynzer.

A companhia, que há mais de um ano luta contra uma grave crise financeira, avançou na renegociação de cerca de R$ 3,9 bilhões em dívidas com credores que representam um terço do passivo a ser reestruturado. Agora, precisa buscar a aprovação da maioria (mais de 50%) dos credores para que o plano seja implementado.

Na semana passada, a Justiça de São Paulo negou um pedido feito por detentores de R$ 500 milhões em debêntures, cujo vencimento foi declarado antecipado, de penhora de ativos da companhia.

“O plano aprovado permitirá o aprimoramento da estrutura de capital da companhia, com aumento de sua liquidez e redução significativa da alavancagem, a fim de garantir a continuidade do plano de negócios que foi duramente impactado pela crise da indústria petroquímica mundial”, diz em nota o presidente da Unigel, Roberto Noronha Santos.

A companhia informou nesta madrugada que chegou a um acordo com esse grupo, liderado por detentores de bônus, para seguir negociando os detalhes finais do plano. Há previsão de emissão de dívida nova, tendo como contrapartida o cancelamento dos títulos atuais.

A Unigel também poderá levantar cerca de US$ 100 milhões em nova linha de crédito, com vencimento em 2027, cedendo aos credores que participarem da operação uma ações equivalentes a 50% de seu capital. O “aperfeiçoamento da estrutura de governança” será definido nas próximas semanas, informou.

Segundo o diretor de relações com investidores da petroquímica, André Gaia, o plano de recuperação extrajudicial representa “um encaminhamento bem-sucedido das negociações” e é positivo para Unigel e credores.

“Serão levantados novos recursos para dar continuidade a projetos estratégicos como a fábrica de ácido sulfúrico, além de garantir a manutenção de suas operações no longo prazo de forma segura e em benefício de seus colaboradores, comunidades, clientes e fornecedores”, afirmou.

Uma das mais tradicionais petroquímicas brasileiras, a Unigel acumulou prejuízo líquido de R$ 1 bilhão entre janeiro e setembro de 2023, quando seu patrimônio líquido ficou negativo em R$ 20,6 milhões. O auditor independente se absteve de opinar sobre o balanço.

De janeiro a setembro, a receita líquida da companhia, que atua nos segmentos de fertilizantes, estirênicos e acrílicos, totalizou R$ 4,11 bilhões, com queda de 45% na comparação anual. O resultado operacional (Ebitda) ajustado ficou negativo em R$ 276 milhões, com margem negativa de 6,7%, de R$ 1,65 bilhão positivo um ano antes.

Além do ciclo de baixa da petroquímica global, o pior em décadas, a Unigel sentiu os efeitos da suspensão temporária das operações em diferentes unidades para reduzir estoques e se adequar às condições mais fracas de demanda, com impacto em custos e volume de vendas.

FONTE: VALOR GLOBO, Fevereiro/2024.

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