
O custo do convênio médico de crianças está superando o do público acima de 59 anos, que, historicamente, tem os maiores gastos médicos. A razão principal é o aumento no volume de atendimentos para tratamento do espectro autista. De um lado, há mais precisão no diagnóstico; de outro, há muita judicialização e a avaliação de que há uma onda de fraudes.
Um levantamento feito pela consultoria Funcional (ex-Prospera) com cerca de 1 milhão de usuários de planos de saúde mostra que o custo do convênio na primeira faixa etária (0 a 18 anos) subiu 43% em 2022 e mais 16% no ano passado. Essa variação chega a ser de três a quatro vezes superior ao verificado entre aqueles com mais de 59 anos, a última segmentação de idade dos planos de saúde.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que consideram todo o setor e não segregam pacientes com TEA, mostram que, entre 2021 e 2022 (dado mais recente disponível), a quantidade de sessões de terapia ocupacional saltou 42,5%, de fonoaudiologia o aumento foi de 26,1% e psicologia, 25%.
A variação elevada no custo dos planos de saúde na primeira faixa etária está provocando um desbalanceamento no cálculo atuarial do setor e, consequentemente, o preço do convênio médico dos mais jovens pode superar o da faixa etária seguinte (19 a 23 anos). Porém, as regras da ANS não permitem que um convênio médico voltado ao público de até 18 ano tenha um valor superior àquele destinado à faixa etária seguinte. E, assim, sucessivamente. O preço do plano de saúde da última faixa etária (acima de 59 anos) não pode ser seis vezes maior em relação à primeira faixa etária.
Diante desse cenário, as operadoras estão reduzindo a oferta de planos de saúde para a primeira faixa etária – como já acontece para o público mais velho. Os convênios médicos para estudantes sumiram das prateleiras e as comissões para corretores comercializarem esses produtos são baixas – o que desmotiva as vendas. Hoje, a primeira faixa etária abarca quase 12 milhões de pessoas, o equivalente a 23,5% do total de usuários de convênio médico no país.
Fonte: Valor, Fevereiro/2024.
